A dor com dor se cura

Entrei em um vale profundo, cinzento, nublado, ali fiquei por um tempo – longo tempo. O mundo à minha volta deixou de existir.

Tudo apequenou-se, e eu não sabia se vivia ou apenas sobrevivia.

Nada me interessava, nada me dizia alguma coisa, anestesiei minha alma.

No peito, angústia, agonia e sentimentos incompreensivos – doídos.

Havia em mim tal desencanto que não havia encanto que me seduzisse.

Fiquei assim, vivendo por viver. Nada pedindo, nada querendo, sem comer, sem dormir. Fui sumindo de mim mesma como uma vela que acaba o pavio e se apaga.

Uma flor que murcha.

Um jardim sem grama verde.

Um entardecer sem o brilho das estradas.

Uma manhã sem sol e céu azul.

Um mar cinza e escuro.

Um túnel que não tem fim.

Fiquei sabendo que isso se chamava depressão e tinha cura. Busquei em toda parte, em vigílias, em grupos de oração; passei pelo corredor de fogo. Busquei em Deus uma solução.

Palavras de fé, de conforto, mãos que se estendiam, colos cálidos, braços que me abraçavam, generosos, acolhedores, gentis; havia carinho e amor por onde eu passei. Nas igrejas, eu orava. Por Deus minha alma clamava.

E o socorro veio de Deus. Quando pensei que não ia conseguir, quando desisti, aí Deus insistiu e veio. E quando Ele veio, eu vi e senti sua mão sobre minha vida.

Nunca se pode desistir da felicidade de saber que, quando tudo falha, Deus não vai falhar. Ele não falha nunca.

Assim, lentamente, eu me reencontrei e me tornei mais forte porque é assim que a fé age.

Quando se está no fundo do poço, seu renascer é um reflorestamento da alma. Tudo volta e é mais precioso, porque eu tinha perdido a vida ainda vivendo.

Houve uma renovação, um reencontro, um novo amanhecer.

“Sou nova criatura.”