Bichos: janelas para o meu coração

 

Hoje tomei coragem e vou dividir com vocês o que de mais vulnerável existe em mim. Meu profundo e sincero amor pelos animais. Todos em geral, selvagens ou domésticos. Pássaros que voam e aves do chão. Ferozes, dóceis, indomáveis ou gentis. Os que eu nunca pude ver pessoalmente e que vivem nos infinitos mares, mamíferos ou peixes.

Não importa, meu coração sempre baterá emocionado com a mais fantástica e diversificada criação de Deus: os animais. Com sua perfeita capacidade de adaptar-se à vida, obedecendo tranqüilamente ao ciclo da natureza.

Nunca consegui escrever sobre bichos em geral porque sempre tenho receio de que as pessoas não consigam entender essa relação tão estreita e íntima que tenho com os animais.

O que eu tenho visto hoje nas relações humanos x bichos, me deixa, quase sempre, com um genuíno pavor de abrir meu coração. É sempre a mesma história: o gatinho que cresceu e já não é mais bonitinho; o cachorro velho, cego e doente, que dá muita despesa no veterinário. Pessoas que simplesmente deixam, no meio da rua, seus animais porque vão viajar ou não podem mais cuidá-los.

Como vou explicar a raiva que sinto, misturado com uma dor aguda que mal me deixa respirar com esse comportamento irresponsável de pessoas que jogam fora como lixo seus “animais de estimação”. Como se eles fossem brinquedinhos descartáveis, quando não são mais novidade.

Gente sem entranhas, que arrancam das mães os filhotinhos recém-nascidos sem dar a eles uma única chance de vida e de serem amados pelas desamparadas cadelinhas com seus indefesos filhotes. Gente que afoga ninhadas de gatinhos, sem pensar que as gatas são mães maravilhosas; gente que me faz sentir vergonha de ser gente…

Não sou uma pessoa de temperamento fácil. Mas me controlo muito se o assunto é bicho, porque entro prá valer numa briga para protegê-los dos monstros que andam por aí, torturando, matando e tendo um prazer doentio em fazer sofrer criaturinhas tão desprotegidas como os animais.

É aí que mora a minha fraqueza…

Meu amor pelos bichos é como uma ferida exposta que dói muito quando é tocada.

Gente, eu sofro muito, não consigo entender tanta maldade, perco o rumo e adoeço.

Sei que não tenho estrutura para me envolver com abrigos de animais, mas eu me envolvo, e como me envolvo! É incontrolável, é quase incompreensível para muita gente como posso me doar assim para os animais.

Há dias em que peço a Deus que me capacite para sofrer menos a fim de poder ajudar mais. Sei que foi Deus quem me fez assim. Ele sabe que nesse mundo onde gente sofre tanto, bicho é apenas bicho para muita gente, e não dá para pensar neles.

Por isso, o Senhor em sua sabedoria faz nascer pessoas cuja as almas são intensamente ligada à natureza e aos animais. Capazes de dedicarem toda vida à amá-los, cuidá-los e compreendê-los.

Gostaria tanto de poder ser assim, ter o controle necessário para administrar meus sentimentos e poder ser muito mais útil, sem me estressar tanto pelo gatinho atropelado que vai morrer ou o cachorro que foi tão espancado que se tornou feroz como o homem que o espancou.

Se você tem um bicho, não ame só “o seu bicho”, estenda esse amor a todos eles. Um animal será sempre seu amigo e mesmo que você não seja importante para os outros, será tudo para ele.

Animais são algo especialmente lindo, neste mundo tenebroso e insensato.