Desolação

Esta tristeza que me assola, me assombra, se agarra em mim como um visgo, me sufoca, me enfraquece, me anestesia.

Não demonstro – o rostro impassível – mas desmorono aos poucos como um prédio antigo com bons alicerces.

Estou desolada com a vida, com as pessoas, com o mundo. Estou descompassada. Não encontro o tom, o compasso, a nota, para entrar outra vez na orquestra da vida. Vivo a vida entre vidas.

Gostaria de deitar e dormir. Só dormir, sem ter que acordar outra vez, mais uma vez sentir a dor da tristeza me invadir e me submergir.