Sinal Vermelho

 

A loucura acabou de chegar. Posso senti-la lutando com o que me resta ainda de equilíbrio e sanidade.

Agarro-me à realidade sólida que me cerca. Concentro-me nas coisas triviais do cotidiano, tento de qualquer forma manter a mente em linha reta, ser racional – mas como?

Oscilo entre a fina e tênue linha que mantém o meu psiquê e o vazio do abismo, o fundo do poço.

Eu sei o quanto é doloroso sair, ter de voltar e não mais me deixar cair…

A ilusão do nada!!!

A desilusão da volta…

Preciso me manter sã a qualquer preço. Minha loucura é temporária e por isso não traz alívio nem esquecimento.

Contenho-me na dor das recordações atormentadoras, coloco blocos de concreto no subconsciente. Pedras imensas nas comportas dos sentimentos.

A dor vaza como tênues fios de água na represa das emoções. A pressão é grande.

Dói o peito!

Saudade de você, mãe!

Saudade de você, Benoni!

Alguém me machucou!

Você me magoou!

Socorro, eu preciso de ajuda! Mas que ajuda?

Controlo as lágrimas, controlo tudo, vou explodir, eu sei! É só uma questão de tempo. Não vou suportar a pressão.

Tudo é desespero, gerando uma necessidade de fugir da tremenda realidade, do pesadelo em que se transformou a minha vida.

Não confio mais em nada!

Não confio nem em mim!

Preciso de Deus!

A cabeça pesa, dói. Quero me esconder. Não me contem nada, não quero saber.

Não me expliquem nada. Por favor, eu não vou entender.

A dor vem e vai, vou resistir o quanto der.

Não posso sofrer mais, não vou agüentar outro dia assim.

Sinal vermelho!

Sinal vermelho!