Sorrir – sorrisos

Existe gente que sorri como quem respira; vive rindo, ri de tudo e por tudo.

Mas há risos, sorrisos e gargalhadas. Lindo mesmo de se ver é o sorriso… Sorriso tímido, meio enviesado de quem tem medo de sorrir e parecer muito íntimo. Sorriso largo que ilumina o rosto que espelha a alma e mostra o brilho. Sorriso matreiro que promete coisas. Sorri com a boca, promete com os olhos, nega com os olhos e promete no sorriso.

Sorriso irônico, superior, de quem se acha “príncipe da vida”.

Sorriso de quem nunca erra e sabe de tudo.

Sorriso, tipo mineiro, cheio de coisas que não são ditas, só “sorridas”.
Sorriso sofrido, espremido. Sorriso para dentro.

Sorriso puritano de quem acha pecado ser feliz! Gente que ri com a mão na boca como se riso fosse algo que o Bom Deus não houvesse criado para ser dividido.

Riso é coisa contagiante. A gente ri de piada, de tombo, e quem é de bem com a vida ri de si mesmo.

Agora, sorriso não: sorriso é coisa séria. Sorrir mesmo é iluminar o rosto, fazer sair um sentimento através de um simples sorriso.

Sorriso de mãe quando vê o filho pela primeira vez. É puro orgulho. É sorriso de vida! Para a vida!

Sorriso de amor. Do primeiro amor quando a gente sorri como uma estrela, porque o sol chegou nas nossas vidas.

Sorriso cheio de luz, de fé. Sorriso de quem encontra Jesus pela primeira vez.

Apagar um sorriso é coisa muito triste…

Sorriso de criança. Existe algo mais lindo, mais doce? Sorriso de infância. De quem jogou bola de gude na rua sorrindo para os motoristas apressados e mal-humorados. E quem já teve o privilégio de ver bicho rindo?! Eu já vi cachorro rindo como gente sabe rir. Riso em silêncio de te amo, você é meu dono.

Sorriso de boas-vindas!

Sorriso de perdão!

Sorriso de desculpas!

Sorriso de volta para mim, volta. Eu fico tão confusa sem você que só sei sorrir, esqueço, até, de como se fala.

Sorriso de medo, meio histérico, quando a gente leva um susto e fica morto de vergonha.

Sorriso de cúmplice quando a gente é tão amigo que, pelo sorriso, já se entende.

Sorriso de ternura!

Sorriso de carinho!

Sorriso de entrega!

Sorriso de quem vive em paz, e por isso macio, mansinho, sorri com os olhos, com o rosto, com as mãos. Com o corpo todo.

Sorriso gelado, parado, que dá arrepio.

Sorriso hipócrita.

Sorriso de Dalila quando traiu Sansão.

Sorriso barato de quem só sorri quando você puxa a carteira.

Mas eu sei que a todos nós restam, ainda, muitos sorrisos. Vamos distribuí-los por aí. Quem sabe alguém os recolha, por serem tão raros no mundo?! Sorrisos que ainda não foram assassinados.

Porque, como diz o poeta Mário Quintana:

“Da vez primeira que me assassinaram, perdi um jeito de sorrir que eu tinha”.