Conduzindo nossas vidas

O ritmo que às vezes impomos a nós mesmos deve ser dosado e avaliado, porque exigir demais, além de nossas possibilidades, pode causar-nos profundo stress.

Sempre pensei que stress fosse doença de rico, imaginária. Não percebi os sintomas chegando, nem respeitei os alarmes que meu corpo e minha mente enviavam, sutilmente, para avisar-me.
Anos de disciplina de trabalho impediram-me de perceber sua chegada. Primeiro, uma certa indiferença pelo dia-a-dia; o mundo foi desbotando diante dos meus olhos. Movia-me como um robô bem treinado, eficiente, mas cansada demais para perceber a exaustão.
O cansaço físico não é nada, se comparado ao mental. Sempre exigi muito de mim, e trabalho porque gosto muito do que faço. Mas, pela manhã, não queria sair da cama, e o dia-a-dia tornou-se um verdadeiro horror.

É difícil admitir que estamos precisando de descanso quando há tanto a realizar. É preciso ter autocrítica, tomar consciência da hora de parar e reformular a maneira como estamos conduzindo as nossas vidas.
Até perceber isto, a irritação tomou conta de mim e a impaciência estava presente em quase todos os meus atos. Comecei a exigir demais dos outros. O sono deixou de ser um descanso, sempre agitado. Por isto, pela manhã estava sempre exausta.

Fico feliz de haver conseguido avaliar esse meu momento de profundo acúmulo de cansaço, luta e desilusões que foram responsáveis pelo rompimento da couraça, que a gente acaba tendo que vestir para agüentar o tranco que é viver nesse insensato mundo.
Pergunto-me se algum de vocês não está, também, cometendo o mesmo erro, de não saber dosar o trabalho, a felicidade e a vida. E, nesse coquetel de ingredientes tão diferentes, conseguir a mistura quase perfeita.

Não se permita ser tragado pelo redemoinho feroz das exigências desse mundo moderno. Pare e volte ao tempo antigo. Sente-se no chão, jogue papo fora com os amigos, leia poesia, perca seu tempo com você mesmo. Afinal, só se vive uma vez.

Ao refletir sobre isto, vem-me à memória os versos de uma poesia que li não sei onde: “Não passarei por este caminho outra vez. Por isso, todo o bem, todo o amor, tudo que devo fazer deixe-me fazer logo. Não posso adiar, não posso esperar, não passarei por esse caminho outra vez.”